Tradicionalmente, a Chegada do Papai Noel se configura no momento mais emocionante do Sonho de Natal. Foram três apresentações, nos dias 16, 23 e 24 de novembro e milhares de pessoas aplaudindo os novos talentos de Canela. Para os 111 alunos, a realização concreta do próprio nome do evento: Sonho de Natal. O espetáculo deu a largada para uma programação intensa e totalmente gratuita, repleta de atrações para todas as idades que segue até o dia 12 de janeiro de 2020.

SUPERANDO MEDOS

O pequeno Ruan Duarte, oito anos, tinha medo dos fogos de artifício há um ano. “Viemos assistir a Chegada do Papai Noel, mas antes de terminar o espetáculo fomos embora, pois sabíamos que ele começaria a chorar de medo quando os fogos iniciassem”, lembra Fabiana Arzona, 43 anos. Ao lado do marido, o construtor Fabiano Duarte, 46, ela não conseguia esconder a emoção de ver o filho, Ruan, no palco do maior espetáculo do Sonho de Natal. O menino fez uma participação junto com outras crianças da Escola Especial Rodolfo Schlieper. Acompanhados das professoras, eles cantaram e dançaram a música “Era Uma Vez”. A alegria pela participação do filho também estava estampada no rosto do pai. “Agora ele não tem mais medo dos fogos de artifício. Subiu no palco, cantou e dançou como fez em casa, enquanto ensaiava”, relatou Fabiano.

REVELANDO TALENTOS

A postura altiva e a precisão na execução das coreografias chamava a atenção de quem assistia ao espetáculo. Era Carlos Henrique da Silva Marafigo, 13 anos, morador do bairro Bom Jesus, que se destacava pela concentração em cada música, cantando e dançando com mais de 100 crianças. “Eu não sabia que ele tinha esse talento”, revelou a mãe, Joline da Silva, 31 anos. O pai, Carlos Eduardo, 32 anos, também ficou surpreso com a desenvoltura do filho que estuda na Escola Dante Bertoluci, no bairro São Luiz. O menino, que gosta de música e toca teclado, estreou no palco da Chegada do Papai Noel do jeito que sonhava. “Está sendo emocionante. É algo marcante em minha vida”, disse Carlos Henrique, que apesar do talento para as artes, afirma já ter feito sua escolha profissional. “Quero estudar para ser advogado”, declarou com convicção.

PARTICIPAR DE NOVO

Nem mesmo a noite gelada de domingo – em que os termômetros marcaram 12 graus – impediu que Victória Alves, 13 anos, surgisse sorridente no palco, encarando o vento forte que tornava a noite ainda mais fria. Estudante do 7º ano da Escola Severino Travi, no bairro São Luiz, a menina conta que ficou feliz em participar do espetáculo. “Foi muito especial, no próximo ano quero participar de novo”, disse Victória, que mora no bairro São Rafael.

ALGO BOM

O sentimento era de alegria, mas também de despedida para a jovem Gabriela Endres Leal, 14 anos. Estudante do 9º ano na Escola João Alfredo Correa Pinto, que fica no bairro Sesi, essa foi sua última participação no Sonho de Natal, já que no próximo ano ela estará no Ensino Médio. “Eu treinei bastante, fazia a minha mãe dançar comigo as coreografias”, contou a menina, que já havia participado do espetáculo Chegada do Papai Noel no ano passado. “Talvez por ser o último ano senti que foi especial. Sei que fiz algo de bom para a minha cidade”, resumiu Gabriela.

MISSÃO CUMPRIDA

“Vocês foram maravilhosos, estão de parabéns, foi tudo lindo!”. A mensagem final do diretor de Cultura de Canela e diretor de cena e roteirista do espetáculo Chegada do Papai Noel, Tiago Melo, levou algumas crianças e professores às lágrimas. A despedida no camarim foi preenchida por sorrisos, abraços e a promessa de que estarão juntos no próximo ano. “É um sentimento de missão cumprida”, disse Tiago, que ao lado da bailarina, coreógrafa e professora Alessandra Abrantes dirigiu o projeto com as 111 crianças que participaram dessa edição. “Essa foi a parte mais gratificante do trabalho, fazer com que eles sentissem orgulho de si e inspirassem seus colegas”, revelou o roteirista.

SUPERAÇÃO

“Nesse ano senti as crianças mais envolvidas. Foi um trabalho de quatro meses com ensaios de duas horas e meia em cada escola. Impossível não criar laços, vamos sentir muita falta uns dos outros”, revelou Alessandra. Ela conta que muitas crianças pensaram em desistir. “Foi um trabalho de superação, de mostrar para elas que eram capazes e que todo o esforço valeria a pena, exatamente como aconteceu aqui. Fizemos um trabalho para despertar a autoconfiança em cada um e tivemos um resultado maravilhoso, pois eles não imaginavam tudo o que iriam viver neste palco. A felicidade ficou dentro deles”, afirma a coreógrafa.